quinta-feira, 2 de junho de 2011

FICHAMENTO 1

Alterações da saúde bucal em portadores de câncer da boca e orofaringe


Caio Perrella de RezendeI; Marcelo Barboza RamosII; Carlos Henrique DaguílaIII; Rogério Aparecido DedivitisIV; Abrão RapoportV
IMestre pelo Curso de Pós-Graduação em Ciências da Saúde do Hospital Heliópolis, HOSPHEL, São Paulo, Especialista em Periodontia
IIEspecialista em Implantodontia, Mestrando Curso de Pós-Graduação em Ciências da Saúde do Hospital Heliópolis, HOSPHEL, São Paulo
IIIEspecialista em Implantodontia, Mestrando Curso de Pós-Graduação em Ciências da Saúde do Hospital Heliópolis, HOSPHEL, São Paulo
IVDoutor em Medicina pelo Curso de Pós-Graduação em Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da UNIFESP - Escola Paulista de Medicina, Médico
VDocente Livre pelo Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Ciências da Saúde do Hospital Heliópolis, HOSPHEL, São Paulo

      Os dois principais fatores de risco relacionados ao câncer da boca são o hábito de fumar e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Existe um efeito sinérgico entre esses fatores e uma relação diretamente proporcional com a quantidade e tempo de exposição. Entretanto, outros fatores têm sido associados ao desenvolvimento do câncer da boca e orofaringe, incluindo agentes biológicos, como o papiloma vírus humano (HPV), higiene oral precária, história pregressa de neoplasia do trato aerodigestivo e exposição excessiva à luz ultravioleta (câncer do lábio). A grande maioria dos cânceres de boca é diagnosticada tardiamente. Para um diagnóstico precoce, está indicado o auto-exame ou o exame periódico por profissionais1-3.
      Investigações epidemiológicas têm mostrado que os hábitos de fumo e álcool são os principais fatores de risco para o câncer na cavidade oral10. Entretanto, alguns aspectos como a má condição bucal, próteses mal adaptadas, condição econômica, dieta e condição periodontal também podem participar como coadjuvantes no desenvolvimento do câncer oral e de orofaringe12. Em estudo de pacientes renais crônicos sob hemodiálise, determinou-se que idade, diabetes, tabagismo e níveis de albumina estavam independentemente associados à severidade da periodontite13.
      Os resultados permitem concluir pela presença de associação de doença periodontal e câncer da boca e orofaringe, com maior severidade observada em portadores de câncer e sem relação com hábitos de higiene ou condição dentária. Estudos longitudinais e com inclusão de outras variáveis, como estadiamento, estado nutricional e hábitos, devem ser realizados para que esta associação fique mais evidente e possa ser determinado o papel da doença periodontal como fator de risco para o câncer.

FICHAMENTO 2

Epidemiologia do câncer de boca em laboratório público do Estado de Mato Grosso, Brasil

Fabiano Tonaco BorgesI, II; Cléa Adas Saliba GarbinIII; Artur Aburad de CarvalhosaII, IV; Paulo Henrique de Souza CastroII; Lídia Regina da Costa HidalgoIII
IEscola de Saúde Pública do Estado de Mato Grosso, Cuiabá, Brasil
IIHospital do Câncer de Mato de Grosso, Cuiabá, Brasil
IIIFaculdade de Odontologia de Araçatuba, Universidade Estadual Paulista, Araçatuba, Brasil
IVMT Laboratório, Cuiabá, Brasil
      O câncer de boca é o quinto tipo de câncer em incidência em todo o mundo, sendo muito freqüente na Ásia (Índia, Cingapura e outros países da região) representando mais de 50% de todos os diagnósticos de câncer 1. Na Índia o câncer de boca é o tipo de neoplasia maligna mais incidente nos homens e ocupa a terceira posição entre as mulheres 1.
      No Brasil, o câncer de boca representa o quinto tipo de câncer em incidência entre os homens e o sétimo entre as mulheres 5. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima para 2008 uma taxa bruta em homens e mulheres, respectivamente, de 11,00 e 3,88 casos novos por 100 mil habitantes (INCA http://www.inca.gov.br/estimativa/2008/index.asp?link=mapa.asp&ID=9, acessado em 10/Fev/2008;
      Neste estudo os dados epidemiológicos mostraram a assimilação, por parte das unidades de saúde, do serviço de patologia bucal do MT Laboratório, que aumentou sua rotina em 269%. O registro do câncer de boca no MT Laboratório aumentou em 266% entre 2005 e 2006. Os homens em idade produtiva foram os mais acometidos pelo câncer de boca. A maioria dos pacientes procedia do interior do estado. Conclui-se com este estudo que em dois anos de funcionamento o serviço público de patologia registrou um considerável número de casos de câncer de boca.

FICHAMENTO 3

Popularização do autoexame da boca: um exemplo de educação não formal

Fernanda Campos Sousa de AlmeidaI; Dorival Pedroso da SilvaII; Maria Alice AmorosoIII; Reinaldo de Brito e DiasII; Oswaldo Crivello JuniorII; Maria Ercilia de AraújoIV
IFaculdade de Odontologia, Universidade de São Paulo. Av. Prof. Lineu Prestes 2.227, Butantã. 05508-900 São Paulo SP. fernandacsa@usp.br
IIDepartamento de Cirurgia, Prótese e Traumatologia Maxilofaciais, Faculdade de Odontologia, Universidade de São Paulo
IIIHolding Comunicações
IVDepartamento de Odontologia Social, Faculdade de Odontologia, Universidade de São Paulo
     
      O câncer de boca, sexto em incidência entre homens e que atinge mais 11.000 novos brasileiros todo ano, é a mais grave doença que afeta a boca8. Lesões que necessitam de tratamentos mutilantes e que ainda são detectadas tardiamente, em mais de 80% dos casos, persistem pouco conhecidas da população em geral e de parte da classe médica e odontológica.
      Baseando-se nos dados epidemiológicos e na realidade do câncer de boca no Brasil, além da vocação dos pesquisadores e colaboradores do Grupo de Pesquisa em Reabilitação Maxilofacial (GPR), que descontentes com o pobre resultado das reabilitações em casos avançados da doença e com a pouca sobrevida de seus doentes, incluíram no escopo de suas atividades a educação em saúde e a prevenção do câncer de boca.
      As campanhas, se por um lado, não formam opinião e não mudam hábitos de vida, são fundamentais para alertar a população. O câncer de boca e suas ações de prevenção podem seguir os passos da bem-sucedida campanha de vacinação no Brasil, que mesmo disponibilizando vacinas o ano todo em suas unidades de saúde, em datas pré-estabelecidas, une esforços econômicos e humanos e dissemina na mídia informações e convocações para a vacinação da população, facilitando assim o alcance das metas do Ministério da Saúde, com mobilização e imunização da população-alvo em massa. Fazendo um paralelo com o câncer de boca, poderíamos afirmar que, apesar de se garantir nas unidades básicas de saúde atenção à demanda espontânea de pacientes para detecção de câncer de boca e, nessas mesmas unidades, manter-se programas de educação continuada da população com relação aos fatores de risco, por exemplo, pode-se estabelecer datas e momentos de mobilização da opinião pública. Baseando-se na experiência do nosso grupo, este projeto de popularização mostrou que a imprensa trabalha com pautas e fatos e cabe aos profissionais de saúde pública gerar tais fatos e acontecimentos que possam concorrer com as pautas jornalísticas. Políticas públicas devem ser desenvolvidas e os profissionais envolvidos com a atenção ao paciente portador de câncer de boca devem sensibilizar o governo e se unir em torno de uma causa, em detrimento de vaidades e atos de reserva de mercado, que pouco contribuem para o bem maior, ou seja, a prevenção do câncer de boca e sua detecção precoce.

FICHAMENTO 4

Tendências de mortalidade por câncer de boca e orofaringe no Município de São Paulo, Brasil, 1980/2002

Maria Gabriela Haye BiazevicI, II; Roberto Augusto CastellanosII; José Leopoldo Ferreira AntunesIII; Edgard Michel-CrosatoI
IÁrea das Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade do Oeste de Santa Catarina, Joaçaba, Brasil
IIFaculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil
IIIFaculdade de Odontologia Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil

      Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de boca e orofaringe são considerados os neoplasmas mais freqüentes de cabeça e pescoço, com cerca de 390 mil novos casos por ano 1. A designação comum de "câncer de boca e orofaringe" refere-se a uma categoria abrangente de localização de neoplasias com diferentes etiologias e perfis histológicos, embora majoritariamente se refira ao carcinoma epidermóide. Sua etiologia é multifatorial, integrando fatores endógenos, como a predisposição genética e fatores exógenos ambientais e comportamentais, de cuja integração pode resultar a manifestação do agravo.       A doença afeta majoritariamente as pessoas com mais de 45 anos de idade e, internacionalmente, há muita variação inter e intra-regional de incidência 2.
      O estudo de tendências da mortalidade por câncer é complexo e deve considerar fatores de natureza diversa. Essas tendências decerto refletem níveis diferenciais de qualidade e acesso aos serviços de saúde, além da exposição a fatores de risco e proteção. Entretanto, esses fatores também sofrem modificação de magnitude e freqüência ao longo do tempo; e a implementação de suas conseqüências potencialmente benéficas ou deletérias depende de ação cumulativa.
      Observou-se tendência global de incremento na mortalidade (coeficientes ajustados por sexo e grupo etário) por câncer de boca e orofaringe na cidade de São Paulo, sendo que o câncer de língua foi responsável por mais de um terço desses óbitos. A observação de elevada magnitude e tendência crescente para a mortalidade por câncer de localizações não especificadas da boca e orofaringe sugere necessidade de implementar medidas visando a antecipação do diagnóstico e a introdução precoce dos recursos terapêuticos disponíveis.

FICHAMENTO 5

Caracterização do diagnóstico tardio do câncer de boca no estado de Alagoas
Luiz Carlos Oliveira dos SantosI; Olívio de Medeiros BatistaII; Maria Cristina Teixeira CangussuIII
IDoutor em Estomatologia pelo Programa Integrado de Doutorado em Odontologia da UFPB/UFBA, Professor Adjunto de Estomatologia - UFAL
IIDoutor em Sciences Biologiques Et Santé. Universite de Rennes I, U.R.I., França, Professor Adjunto de Estomatologia da UFPB
IIIDoutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo, Professora Adjunta do Departamento de Odontologia Social e Pediátrica

      A boca é um sítio anatômico de fácil acesso para exame, permitindo que cirurgiões-dentistas, médicos generalistas ou o próprio paciente, através do autoexame, possam visualizar diretamente alterações suspeitas, principalmente nos estágios iniciais, levando ao diagnóstico precoce. No entanto, na maioria dos casos o diagnóstico é feito tardiamente3,4.
      O diagnóstico precoce é dificultado pelo fato de que as lesões iniciais, geralmente assintomáticas, não são valorizadas pelo próprio indivíduo e nem pelos profissionais de saúde, sugerindo falta de conhecimento da patologia, deficiência na procura de atendimento médica por parte do indivíduo e/ou do acesso e qualidade da assistência à saúde, fator este ligado a uma ausência de programas governamentais que visem à prevenção e de um sistema de saúde eficiente.
      Alagoas12, que ainda enfatiza a importância dos serviços da capital para a população e da ausência de serviços de média e alta complexidade de forma descentralizada no estado. A ausência de municípios nessa estatística pode ser justificada pela distância geográfica e deslocamento difícil em muitos municípios da zona rural, bem como a ausência de um sistema efetivo de referência e contra-referência entre a rede básica de saúde e os hospitais de referência para o câncer.
      Em relação ao hábito de fumar e ao etilismo, permitiu-se constatar a presença de consumo de tabaco em 37,8% dos pacientes, 39,1% eram fumantes e etilistas e 20,3% não fumavam e nem bebiam. Nota-se que o hábito do tabagismo e etilismos, neste estudo, é alto. Dentre os hábitos bucais, o tabagismo e o alcoolismo têm sido frequentemente documentados como sendo os principais fatores de risco no desenvolvimento de novos cânceres bucais, agindo de forma sinérgica e aumentando a incidência21-24.

FICHAMENTO 6

Comparação entre a concentração de mastócitos em carcinomas espinocelulares da pele e da cavidade oral

Ana Carolina Gomes PariziI; Ricardo Luís BarbosaII; José Luiz Santos PariziIII; Gisele Alborghetti NaiIV
IEspecialista. Médica, ex-acadêmica da Faculdade de Medicina de Presidente Prudente - Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) - Presidente Prudente (SP), Brasil
IIDoutor. Matemático do Laboratório de Bioestatística - Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo (SP), Brasil
IIIEspecialista. Professor do Departamento de Patologia, Faculdade de Medicina e Faculdade de Odontologia de Presidente Prudente - Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) - Presidente Prudente (SP), Brasil
IVDoutora. Professora do Departamento de Patologia da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) - Presidente Prudente (SP), Brasil

      Os carcinomas espinocelulares (CECs) são neoplasias malignas originadas do epitélio escamoso e podem ser bem, moderadamente ou pouco diferenciados, ou ainda indiferenciados. Esses tumores podem ocorrer na pele (local mais frequente), boca, laringe, esôfago e colo uterino, locais esses revestidos por epitélio escamoso, ou no contexto de metaplasia escamosa, em que o epitélio original sofre transformação para epitélio escamoso, como é observado nos casos de CEC brônquico.1
      Câncer de boca é uma denominação que inclui os cânceres de lábio e da cavidade oral (mucosa bucal, gengivas, palato mole e duro, língua e assoalho da boca). O câncer de lábio é mais freqüente em pessoas brancas e registra maior ocorrência no lábio inferior em relação ao superior.2 As neoplasias malignas da cavidade oral apresentam uma incidência maior em homens e nas regiões Sul e Sudeste do país.2 Os fatores que podem levar ao câncer de boca são idade superior a 40 anos, tabagismo (uso de cachimbos ou cigarros), consumo de álcool, má higiene bucal, uso de próteses dentárias mal ajustadas2 e - nos casos dos cânceres de lábio - exposição solar.2,4
      Mastócitos são células residentes no tecido conectivo normal. Sua densidade varia de um órgão para outro, mas está constantemente bem representada no trato respiratório. A hiperplasia de mastócitos foi encontrada em muitos tumores, porém seu significado é questionável.7 Dados recentes sugerem que os mastócitos podem ter papéis opostos na biologia tumoral e que o microambiente pode polarizar essas células para possuírem efeito tanto promotor quanto inibidor nos tumores.1,8
      Embora os mastócitos sejam associados à promoção de angiogênese em alguns tumores malignos, especialmente do trato aerodigestivo, pouco é conhecido sobre sua atuação nos CECs orais.12 Alguns trabalhos mostraram significante correlação entre a concentração de mastócitos e a microdensidade vascular em lesões pré-neoplásicas e no CEC oral12,13 e sugeriram que os mastócitos aumentam a angiogênese nesses tumores via triptase.12
      Neste estudo, observou-se uma concentração muito maior de mastócitos nos pacientes do sexo feminino. Esse fato pode ser parcialmente explicado pela maior exposição de mulheres à radiação ultravioleta (natural ou artificial) para bronzeamento com fins estéticos. Isso, porém, não explica a concentração de mastócitos também ser maior na cavidade bucal de mulheres, sugerindo que pode haver outros mecanismos de recrutamento e ativação de mastócitos relacionados ao sexo feminino.

FICHAMENTO 7

CARCINOMA EPIDERMÓIDE DA BOCA EM IDOSOS DE SÃO PAULO

MÁRIO R. PERUSSI, ODILON VITOR P. DENARDIN, ANTONIO SÉRGIO FAVA, ABRÃO RAPOPORT

Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Heliópolis, São Paulo, SP

      Uma das características mais marcantes do desenvolvimento econômico é o prolongamento da expectativa de vida dos indivíduos. Fatores relacionados a uma melhoria das condições ambientais, culturais, sociais e de vida pessoal (alimentação, acesso aos cuidados de saúde preventivos ou curativos) podem contribuir para este aumento na longevidade.
      No entanto, este acréscimo na expectativa de vida não é apenas benéfico, visto que a ausência de uma política de saúde diretamente voltada para os idosos deixa 15% a 20% da população sem nenhuma proteção estatal1,2 e torna-se a expressão exata do panorama em que se encontra o idoso: quase sempre negligenciado pela pirâmide social3.
      Além dos aspectos sociais deletérios, o aumento do tempo de vida das pessoas traz como conseqüência uma maior prevalência de doenças crônicas ou associadas aos processos de envelhecimento celular como o câncer. Na maioria dos tipos de cânceres existe uma relação direta entre determinados aspectos de apresentação clínica e o prognóstico da doença.
      O câncer da boca é uma doença que afeta homens na 5ª e 6ª décadas de vida e está associado aos hábitos de fumo e etilismo. Apesar do relato de uma elevação na incidência do câncer da boca, quando comparados os períodos de 1978-87 e 1988-97 (16,7% vs 24,3%), não há uma variação do número de casos novos, diagnosticados anualmente em nosso serviço, no mesmo período de tempo (69 novos casos/ano entre 1978-87 e 68 novos casos/ano entre 1988-97).
      O câncer é um processo de falta de controle da proliferação das células e existe indicação que a evolução da doença pode variar em conformidade com algumas características clínicas ou patológicas. Assim, existe uma possibilidade de que a evolução dos indivíduos que desenvolvem câncer em idade mais avançada seja diferente dos que são acometidos pela doença quando mais jovens.
      A definição de um limite de idade para caracterização da população idosa ainda é controversa na literatura. Optou-se pela aplicação do critério da OMS que indica a idade de 60 anos como o início da velhice nos países em desenvolvimento apesar de vários autores utilizarem limites mais amplos6.

FICHAMENTO 8

Expressão de ciclina D1 e presença de metástase cervical de carcinoma epidermóide de boca


Gerson Schulz MaahsI; Denise Cantarelli MachadoII; Emilio Antonio Jeckel-NetoIII; Vinicius Schenk MichaelsenIV
IOtorrinolaringologista e cirurgião de cabeça e pescoço. Mestre em medicina pela PUCRS. Membro do Serviço de otorrinolaringologia e cirurgia de cabeça e pescoço - PUCRS - Porto Alegre
IIPhD. Coordenadora do Laboratório de Biologia Celular e Doenças Respiratórias do Instituto de Pesquisas Biomédicas e Professora da Faculdade de Medicina da PUCRS
IIIBiólogo e Mestre em Educação (PUCRS), Doutor em Medicina (Aichi Medical University, Japão), Professor Titular da Faculdade de Biociências
IVDoutorando Clínica Médica e Ciências da Saúde. Farmacêutico Bioquímico. Otorrinolaringologista e Cirurgião de Cabeça e Pescoço. Porto Alegre RS PUCRS - Hospital São Lucas e Hospital Mãe de Deus - Porto Alegre RS

      O carcinoma epidermóide corresponde a mais de 90% dos tumores malignos da boca, sendo sua sobrevida modificada conforme o estadiamento da doença. Quando a doença é local, a sobrevida é de 79%, na doença loco-regional de 42% e de 19% na presença de metástases distantes1. As características clínicas, histológicas e mais recentemente biológicas ou moleculares são denominadas de fatores de prognóstico, sendo preditivas de cura e de sobrevida. O fator de prognóstico mais importante no câncer de boca é a presença de metástase cervical o que torna o diagnóstico da metástase fundamental para o planejamento do tratamento oncológico2,3.
      A ciclina D1 é uma proteína codificada pelo gene CCND1 localizado no cromossomo 11q13. Esta proteína atua no ciclo celular acelerando a fase G1 e foi descrita como um oncogene em 1991 por Motokura5, o qual observou que o aumento da ciclina desregula o ciclo celular e contribui para gênese do tumor. A presença da ciclina D1 é demonstrada imuno-histoquimicamente no câncer de cabeça e pescoço e, quanto maior sua expressão, menor a sobrevida dos pacientes, sendo assim considerada um fator de prognóstico por muitos pesquisadores, em carcinomas de esôfago, mama, cérvix uterino, cólon, reto e melanomas5,6.
      A ciclina D1 pode estar expressa com distintos graus de intensidade. O termo "alta expressão" é definido pela marcação de mais de 50% das células neoplásicas10. No presente estudo, os resultados do Qa obtidos nos 15 pacientes positivos variaram de 0,15 a 1,27 e não foram significativas as diferenças dos valores encontrados. Estabelecer um ponto de corte para categorizar a expressão da ciclina em baixa e alta expressão não foi possível face ao tamanho da amostra de pacientes, porém a análise quantitativa dos valores do Qa foi realizada.
      Neste estudo a presença de metástase cervical foi significativa para diminuir a sobrevida, enquanto que a ciclina D1 não teve a mesma significância estatística, mostrando apenas uma tendência de que os pacientes com maior expressão da ciclina tiveram pior sobrevida.

FICHAMENTO 9

Caracterização da população portadora de câncer de boca e orofaringe atendida no setor de cabeça e pescoço em hospital de referência na cidade de Salvador– BA

Patrícia Sales Leal da SilvaI; Verônica Monteiro Leal LeãoII; Renata Darc ScarpelIII
IFonoaudióloga do Instituto Baiano de Otorrinolaringologia, IBO, Salvador, BA; Especializanda em Motricidade Orofacial pelo CEFAC – Pós-Graduação em Saúde e Educação
IIFonoaudióloga do Centro de Reabilitação e Prevenção de Deficiências, CRPD, Salvador, BA; Especializanda em Motricidade Orofacial pelo CEFAC – Pós-Graduação em Saúde e Educação
IIIFonoaudióloga do Hospital Aristides Maltez, HAM, Salvador, BA; Mestre em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

      O câncer oral compreende um dos maiores grupos de câncer de cabeça e pescoço, ocupando o sexto tipo mais comum de câncer no mundo e o sétimo no Brasil, onde ocorre a maior incidência da América Latina 1.
      O carcinoma espinocelular é a neoplasia maligna de maior prevalência entre os vários tipos de câncer que afetam a boca. As áreas anatômicas acometidas são as regiões dos lábios, cavidade oral (mucosa bucal, gengivas, palato duro, língua e assoalho), orofaringe (amígdalas, palato mole e base de língua) glândulas salivares, trígono retromolar, valécula, loja tonsilar, tonsilas palatinas e paredes posterior e laterais da orofaringe 3. A localização mais frequente é a língua 4.
      Entre os diferentes aspectos epidemiológicos do câncer de boca e orofaringe, encontrou-se um predomínio do sexo masculino. Os dados encontrados corroboram os já existentes na literatura que evidenciam maior incidência deste tipo de neoplasia em homens 7-10. Entretanto, a proporção de câncer entre homens e mulheres encontrada neste estudo (2,5:1 em câncer de boca e 1,95:1 em câncer de orofaringe) foi menor que outras pesquisas. Informação que evidencia que nas últimas décadas, está havendo um visível aumento de novos casos de câncer em mulheres, possivelmente devido às mudanças nos hábitos sociais através de maior consumo de carcinógenos 11.
      No que se refere à idade, a faixa etária mais atingida corresponde à descrita pela literatura mostrando-se ser a idade preferencial dos 50 aos 70 anos 10-12. Todavia, foi verificada a ocorrência de CEC de boca e orofaringe em indivíduos menores de 40 anos. Em pesquisa similar a variação de idade foi entre 14 e 94 anos 13.
Vale ressaltar que neste estudo, não existiu diferença média da idade entre sujeitos com local de Boca e Orofaringe, embora nesta última observa-se uma idade média ligeiramente maior.
      De acordo com a pesquisa pôde-se concluir que a incidência do carcinoma de boca e orofaringe continua sendo maior no gênero masculino. A faixa etária mais encontrada foi entre os 50 e 60 anos. Em relação aos sítios anatômicos, prevaleceram as regiões da língua e soalho oral no câncer de boca, e as tonsilas palatinas em orofaringe.

FICHAMENTO 10

Análise de sobrevida global em pacientes diagnosticados com carcinoma de células escamosas de boca no INCA no ano de 1999

Julia HonoratoI; Danielle Resende CamisascaI; Licínio Esmeraldo da SilvaII; Fernando Luiz DiasIII; Paulo Antônio Silvestre de FariaIV; Simone de Queiroz Chaves LourençoI
IPrograma de Pós-Graduação em Patologia - Universidade Federal Fluminense (UFF)
IIDepartamento de Estatística da Universidade Federal Fluminense
IIIServiço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Instituto Nacional de Câncer
IVDivisão de Patologia do Instituto Nacional de Câncer

      A mortalidade por doenças crônico-degenerativas vem mostrando uma ascensão progressiva, destacando-se, entre elas, as neoplasias malignas, que correspondem à segunda causa de morte no Brasil, excluindo as causas externas. O câncer de boca está entre os dez tipos de câncer mais frequentes no Brasil e a estimativa de incidência para 2009 no Brasil aponta esse tumor como o 5º mais frequente entre os homens (com 10.380 casos estimados) e o 7º entre as mulheres (com 3.780 casos estimados)1.
       Para o carcinoma de células escamosas (CCE) de boca, o estadiamento clínico e a localização do tumor, assim como a gradação histopatológica de malignidade demonstram ser importantes indicadores de prognóstico2,3. A localização anatômica da lesão deve ser considerada como um bom indicador, já que os tumores apresentam comportamentos diferentes dependendo da sua localização2.
      Os estudos descritos indicam o sexo masculino como o grupo mais afetado pelo carcinoma de células escamosas em boca, assim como a faixa etária de 50 a 60 anos e a língua como a localização anatômica mais frequente. A análise da sobrevida não é comumente realizada. Além disso, há informações divergentes quanto às múltiplas formas de avaliação de prognóstico. O presente estudo teve como objetivo geral analisar a possível associação dos fatores de risco e prognósticos com a sobrevida do carcinoma de células escamosas (CCE) de boca.
      O perfil epidemiológico da amostra estudada coincide com a literatura2,6,9. O sexo masculino é o mais afetado, provavelmente devido a maior exposição aos fatores de risco. A associação de álcool e tabaco, menos comum entre mulheres, nitidamente influencia a presença da doença nessa população. Além disso, quando ocorre tal associação, o uso do tabaco ocorre de forma mais branda. Este trabalho demonstra consenso com a literatura2,6,9 em relação à faixa etária mais comum entre os pacientes acometidos, em torno da sexta década de vida. A língua, também em diversos estudos, surge como o sítio anatômico mais acometido, seguida do assoalho de boca9,10.
      Os pacientes com tumores muito avançados são submetidos a cuidados paliativos, significando que não serão adotadas as formas terapêuticas convencionais: radioterapia, cirurgia ou quimioterapia. Esses pacientes são encaminhados a uma unidade especial do Instituto Nacional do Câncer, onde recebem tratamento diferenciado, com possível melhora da qualidade de vida. Na análise da variável tratamento, tais pacientes não foram incluídos, assim como aqueles que se recusaram a receber tratamento ou o abandonaram após o diagnóstico, e ainda aqueles que faleceram antes de iniciar qualquer terapêutica.
      A melhor forma de expressar o prognóstico desta neoplasia é analisar a taxa de mortalidade, estabelecendo índice de gravidade, tanto do ponto de vista clínico como de saúde pública. Contudo as comorbidades, frequentes nesse tipo de população devido à faixa etária prevalente e ao alto índice de tabagismo e etilismo, influenciam a decisão a respeito do tratamento e o desfecho final diretamente, diminuindo ainda mais os índices de sobrevida global desses pacientes32. Portanto, não basta tratar o câncer, mas melhorar o acesso aos cuidados de saúde para a população e aumentar a conscientização a respeito dos fatores de risco para essa doença e enfermidades relacionadas.
      As taxas de sobrevida permanecem baixas na população estudada e o perfil epidemiológico dos pacientes condiz com o já descrito na literatura. A ausência de linfonodos acometidos ao diagnóstico e tumores de pequeno tamanho indicam melhor sobrevida, enquanto a localização em mucosa jugal indica pior sobrevida global. Isso justifica o estudo de fatores diagnósticos e prognósticos para o CCE de boca, além de campanhas e projetos que incentivem e promovam o diagnóstico precoce dessa neoplasia entre os profissionais da saúde. Também deve haver a conscientização da população a respeito dos fatores de risco e da importância da realização de exames periódicos de inspeção da cavidade bucal.

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